Drop 02 - PINDORAMA

chegada dos portugueses

22 de abril de 1500, 13 caravelas portuguesas aportaram no que hoje chamamos de Bahia. Para muitos, o descobrimento do Brasil não é uma data festiva. Na verdade, para estes, esse tal “descobrimento” nada mais foi do que uma invasão, uma apropriação de bens e terras que já eram de outros povos que aqui habitavam há milhares de anos.

Fato é que existia vida aqui antes de Cabral. Existiam comunidades que habitavam uma das porções de terra mais valiosas de todo o Planeta Terra. É bem verdade que esses grupos que aqui viviam ainda se comportavam de uma maneira “animalesca”. Eram povos que ainda estavam em seus estágios iniciais de desenvolvimento como sociedade, mas eram os donos dessas terras.

Como relatado pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, era evidente o choque cultural e diferença entre as intenções entre os visitantes e os donos das terras. Com sede de riquezas e conquistas, os exploradores portugueses viram nossas terras como uma oportunidade de ouro (literalmente). Por outro lado, as atitudes e gestos dos que aqui habitavam demonstraram a inocência dos indígenas, que nem imaginavam como seriam os próximos capítulos de sua história.

Pindorama, esse era o nome da região oriental da América do Sul antes de Cabral. Para os povos do grupo Tupi-Guarani, os verdadeiros donos dessas terras, a palavra representa “Terra das Palmeiras”. Para eles, era uma terra mítica, livre dos males. Nessas terras, habitadas por múltiplas etnias, a natureza e os seres humanos conviviam em equilíbrio. Sim, os indígenas eram agricultores, eram caçadores, exploravam o que aqui existia, mas para subsistência, não para acúmulo de riquezas individuais. A invasão dessas terras pelos portugueses, entretanto, marcou o fim dessa harmonia. E, ironicamente, o antigo Pindorama hoje é chamado de Brasil, para muitos uma alusão ao “Pau-brasil”, árvore nativa dessas matas, que foi intensamente explorado pelos invasores.

O tema do drop 02 do Stuff’s Club é justamente PINDORAMA, uma homenagem às nossas origens. As camisetas trazem elementos que representam esse processo que modificou para sempre nossa história. As flechas representam os indígenas; as palmeiras representam a flora; o lobo-guará representa a fauna; o fogo representa a exploração inescrupulosa das riquezas naturais; os 200 (reais) representam o capitalismo cego. A arte também remete a momentos recentes, como as queimadas de nossos biomas e o lançamento da nova nota de 200 reais, que homenageia o lobo-guará, animal típico de nossas terras, em extinção justamente em virtude da exploração de nossos recursos, que pode ser representada pela própria nota que foi lançada. Ou seja, é como se um assassino tatuasse o rosto de sua vítima para lembrar da sua existência após lhe tirar a vida.

Sim, sabemos que o termo “Pindorama” não era consolidado entre as centenas de povos e seus idiomas, bem como vários pontos da história do Pindorama/Brasil possivelmente nunca serão totalmente esclarecidos. Entretanto, apesar disso, é inegável que os indígenas dessas terras sofreram e sofrem desde a chegada dos europeus na terra brasilis. Onde habitava uma sociedade que vivia em uma relação harmônica com a natureza, com uma mentalidade coletiva, passou a habitar uma sociedade individualista, que visa a exploração das nossas riquezas naturais para acúmulo de bens.

O resultado dessa mudança de mentalidade pode ser observado por todos, a todo momento, em qualquer lugar. Basta querer enxergar...

André Peressoni Bernard
Gestão, Financeiro e Tecnologia

“O povo que esquece sua história está condenado a repeti-la”
Adaptado de George Santayana (filósofo)

Acompanhe nossos conteúdos seguindo a Stuff's no Instagram e se inscrevendo na newsletter abaixo.